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quarta-feira, dezembro 14, 2005

SAGA CCXLII 

Sombra sinónima – perversa

17 de 18

Na oxidação do intelecto
há ferramentas q trabalham amiúde
meras obsessões do remorso.

Estou escorado na cegueira
e propositadamente
matarei pelo olfacto.

quinta-feira, novembro 24, 2005

SAGA CCXLI 

Sombra sinónima – perversa

16 de 18

Há um fôlego
que me acerca desde o fundo
com o gosto lancinante da navalha.

O crime vem da perversidade da mente
e os golpes são mera ficção.

quarta-feira, novembro 02, 2005

SAGA CCXL 

Sombra sinónima – perversa

15 de 18

Avanço muscularmente
galopando sem estribos
sem remorsos vincados na crina.
Sinto que sou um reincidente
mas sem discernir.
Sem entender.

sexta-feira, outubro 28, 2005

SAGA CCXXXIX 

Sombra sinónima – perversa

14 de 18

Debaixo dos meus pés sinto a impulsividade
de um equídeo impune.

Sou o resultado do seu instinto.

terça-feira, outubro 25, 2005

SGA CCXXXVIII 

Sombra sinónima – perversa

13 de 18

Corro no asfalto do ódio
que me projecta os pés para a meta.
Há nele um convite à degolação:
O crime avança a toda a velocidade.

Perante ele é impossível abrandar.

terça-feira, outubro 18, 2005

SAGA CCXXXVII 

Sombra sinónima – perversa

12 de 18

Vê-se a forma como o impacto
se reflecte em cada nó.
Nos dedos ensanguentados
fixo o pensamento
numa vigília de encruzilhadas.

quarta-feira, outubro 12, 2005

SAGA CCXXXVI 

Sombra sinónima – perversa

11 de 18

O gesto apoia-se na sua
própria acção.
Avança por trás
como um caçador furtivo.
É o movimento único:
a hora em que
há uma aproximação.

segunda-feira, outubro 10, 2005

SAGA CCXXXV 

Sombra sinónima – perversa

10 de 18

Os machados cravam-se na lenha,
resplandecem nas raízes
debruadas a sangue.

Sobre eles volto a afiar a navalha.

Linda é a forma quando o ferro
tem a cor do medo.

terça-feira, outubro 04, 2005

SAGA CCXXXIV 

Sombra sinónima – perversa

9 de 18

Bela é a magnificência do terror.

Onde abro o golpe
há uma jactância de cólera.

É abominável o seu rigor.

segunda-feira, outubro 03, 2005

SAGA CCXXXIII 

Sombra sinónima – perversa

8 de 18

Os artefactos cortantes
resplandecem de alegria.
Rasgam as carótidas à
passagem do gume.
Exclamam horror como uma
anémona cravada de espinhos.

sexta-feira, setembro 30, 2005

SAGA CCXXXII 

Sombra sinónima – perversa

7 de 18

Na minha mente
é assustador o coalhar do sangue.

Ele assobia nos meus cabelos
em rodopio.
Mesmo que não haja espirais.
Mesmo que não haja retorno.

quinta-feira, setembro 29, 2005

SAGA CCXXXI 

Sombra sinónima – perversa

6 de 18

Vejam a beleza da morte
nas minhas mãos, a sagacidade da ira
sobre o incrédulo, este formato
é como um grito que se abre em sóis invernosos.

terça-feira, setembro 27, 2005

SAGA CCXXX 

Sombra sinónima – perversa

5 de 18

Não há espaço à repulsa:
o fio da navalha viaja no
âmago do meu ser,
afia-se a cada espasmo.

A lâmina
vem de cá de dentro.

segunda-feira, setembro 26, 2005

SAGA CCXXIX 

Sombra sinónima – perversa

4 de 18

Ás vezes seguro o punhal em tentação.
Outras é o ferro ferrugento que me amedronta.

Encerro-me no crime geometricamente,
há um resvalo onde o golpe é refractário.

Abro na navalha um freio de sangue para escorrer.

quinta-feira, setembro 22, 2005

SAGA CCXXVIII 

Sombra sinónima – perversa

3 de 18

Atravesso-me altivamente
com toda a loucura interior.
Sei que tudo se há-de romper
entre os nervos. Aguento.
Defronte do risco
está iminente o inexplicável.

quarta-feira, setembro 21, 2005

SAGA CCXXVII 

Sombra sinónima – perversa

2 de 18

Considerando o crime:
A forma como a lâmina dele suga
a génese da criação.
Cada objecto tem a necessidade
de exceder o exacto. A mutação.

terça-feira, setembro 20, 2005

SAGA CCXXVI 

Sombra sinónima – perversa

1 de 18

Todo o que mata eclode.
Debruça-se no crime
como quem se impõe a Deus.

quarta-feira, julho 27, 2005

SAGA CCXXV 

Essas palavras – tua boca

Procuro palavras que me alegrem
Só aparecem as que me agonizam
Palavras mundanas que não me servem

Procuro-as nas minhas mãos macias
Procuro-as na rigidez do meu rosto
Procuro-as no ar que respiro e me sufoca
Procuro-as nos céus que não me iluminam
Procuro-as na terra que não me alimenta
Procuro-as na água que me mantém sedento
Procuro-as no mais profundo de mim
Procuro-as nas recordações de ti
Procuro-as nas tuas letras desalinhadas

Mas só me lembro que as encontrava
No sussurro do teu beijo na minha boca

quinta-feira, julho 21, 2005

SAGA CCXXIV 

A recordação é activa. Não é um objecto perdido que se encontrou. Ela faz crescer a massa do presente e do futuro
(Jacques Bossuet)

Singularidade

As minhas mãos ... trémulas ... sombreadas pela noite ... mostram-me o tempo ... que passa ... iluminado ... em slides ... desde longe ... da infância ... nas palmas ... há impressas ... histórias da minha vida ... como cartas ... rescritas ... em duas pedras ... em ruelas tenebrosas ... passeios temporais ... mapas indecifráveis ... nas palmas das minhas mãos ... percorro as letras ... uma a uma ... de olhos fechados ... olho para trás ... lembro-me ... não me extingui ... a gotejos fervorosos ... quantas recordações ... tão frescas ... que o tempo guardou ... e que continuam vivas ... só assim ... esboço um sorriso ... de esperança ... enquanto cruzo os dedos ... como gargalhava ... na minha meninice.

terça-feira, julho 19, 2005

SAGA CCXXIII 

Havendo alguém

Desejo tocar o teu cabelo
Castanho
Loiro
Talvez ruivo
Nem sei

Desejo possuir a tua alma
O teu corpo
Talvez o teu ser
Nem sei

Mesmo que cole
O meu olhar ao teu
Nem sei
Se o meu sangue
Voltará a aquecer-se nas veias

Quero segurar a tua mão
Sentir que me queres
Aproximar a minha boca da tua
Mas nem sei
Se os nossos lábios se unirão

Só sei que me apetece
Morrer no teu coração
E renascer no teu amor